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Posted on maio 18, 2010 in Clube de Leitura, Literatura

Os Olhos do Dragão

Os Olhos do Dragão

Este texto foi primeiro para o comentário da série Primeiras Palavras do nosso Blog, mas achei que valia um post.

Não sei se conhecem o livro “Os Olhos do Dragão”, de Stephen King, que conta a história de um reino chamado Delain que vive às voltas com a dúvida da sucessão de seu atual rei Rolando, o Bom.

Apesar do autor, é uma história de fantasia. Foi escrita especialmente para a filha de King, Naomi, que já havia deixado bem claro para o pai, que o amava muito, mas não estava nem um pouco interessada em seus demônios, vampiros e criaturas rastejantes, isso mexeu com o autor, que decidiu escrever algo que conquistasse a menina. Uma certa noite começou a rascunhar a trama, que no início se chamaria O Guardanapo, quando terminou passou para a menina ler, a reação não poderia ter sido melhor, ela o abraçou e disse que não queria que a história tivesse terminado. hehehehhe… acho que é a frase mais gostosa para um autor escutar.

Olhos de Dragão é um dos meus livros preferidos do Stephen King. Tanto pela história, quanto pelo “easter egg” (“Flagg” é um personagem recorrente em outro livros) e pelo estilo da narrativa. O livro tem uma estrutura muito legal e diferente. Ele vai se desdobrando como um Guardanapo (ocorreu-me isso agora enquanto escrevia, ehhehe). Pois cada parte do livro é um desdobramento da parte anterior. A primeira página do livro é como se fosse um resumo do livro inteiro, que depois vai se desdobrando a medida que lemos. É muito bacana, porque não conseguimos parar de ler.

Acho até que vou sugeri-lo como meu próximo livro no clube de leitura. ehehhehe.

Eis a primeira página e um grande abraço.


“ERA UMA VEZ, num reino chamado Delain, um rei que tinha dois filhos.
O reino era antiqüíssimo e tivera centenas, talvez milhares, de reis; depois de tanto tempo, nem mesmo os historiadores podem saber de tudo. Rolando, o Bom, não foi nem o melhor nem o pior dos reis a governar. Tudo fazia para não causar grandes males e, em geral, conseguia. Também não poupava esforços para realizar grandes obras; nisso, porém, ele não se saía tão bem. Era, pois, um rei muito medíocre; não esperava que, depois de morto, fosse lembrado por bastante tempo. Sua morte estava decerto próxima, pois já era velho, e seu coração fraquejava. Talvez lhe restasse um ano, talvez três. Todos os que o conheciam e todos os que lhe viam a face descorada e as mãos trêmulas, quando ele presidia a corte, concordavam que em cinco anos, no máximo, um novo rei seria coroado na grande Praça do Obelisco… cinco anos, quando muito, e com a graça de Deus. Daí, todos no reino, do mais rico barão e do mais elegante cortesão ao mais miserável dos servos e sua mulher maltrapilha, pensavam e falavam no futuro rei, o filho mais velho de Rolando, Pedro.
Mas havia um homem que meditava, planejava e ruminava algo diferente: como fazer com que, em vez de Pedro, viesse a ser coroado o mais moço, Tomás.
Esse homem era Flagg, o mago da corte.”