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Posted on ago 18, 2011 in Destaque, Literatura

Estudo mostra que spoilers não estragam a história

Estudo mostra que spoilers não estragam a história

Esta notícia foi enviada para a lista do Clube tendo em mente um membro em especial – o Silvio, que não tolera spoiler. Como não tenho problemas em ler/ouvir spoilers (aliás, eu procuro por eles), o debate sempre fica acalorado. Notem que a palavra “estudo” foi calculada para dar “peso” ao título…

Bom, os resultados da pesquisa podem ser lidos aqui (http://io9.com/5829720/). Mas o melhor foi a discussão que surgiu na lista do Clube. Afinal, o que é mais importante: a jornada ou o destino?

Quando ainda não havia Internet, a gente se informava sobre os filmes na revista SET, que eu colecionava. Ou pela TV, ou pelo jornal. Não havia esse conceito de spoiler, se bem me lembro. Até porque era difícil saber com antecedência sobre as produções.

Fico imaginando uma obra como “Traídos pelo Desejo” (1992) hoje em dia. Na época, a revelação que acontece lá pelo meio do filme foi mesmo uma grande surpresa. Éramos mais inocentes? (Alguns têm tanta aflição de spoiler que até ouvir que um filme traz uma “revelação” faz o cidadão sair correndo e tampando os ouvidos). Creio que até a “surpresa” em “O Sexto Sentido” (1999) não teria o mesmo impacto hoje, em função da diversidade e rapidez dos meios de informação.

Pessoalmente, não me importo em conhecer o meio e o final das histórias. Já sei até do destino de alguns de meus personagens preferidos de “Game of Thrones”, e olha que nem cheguei à metade do primeiro livro. Já sei o que vai acontecer com Tyrion, Robb e companhia. Mas essa é a minha posição, claro.

Sou contra os spoilers irresponsáveis. Ninguém tem o direito de usurpar o prazer alheio. E algumas pessoas querem curtir a jornada de olhos fechados (sabe quando a gente fecha os olhos e deixa o vento bater no rosto, só curtindo a viagem, um sorrisinho bobo no canto da boca?).

Mas acho também que há limites sobre o que é ou não spoiler. Ser “informado” sobre o final de obras clássicas não é exatamente ser vítima de um spoiler malvado. Todo mundo sabe que Édipo, coitado, foi se engraçar logo com a… bom, vocês sabem quem. E que, não satisfeito, o pobre rapaz ainda… Não faria sentido falar em “complexo de Édipo” sem saber do infortúnio romântico desse trágico personagem.

Outro exemplo: corre uma lenda que, em Portugal, “Psicose” foi exibido nos cinemas como “O Filho Que Era Mãe”. Sem o spoiler, não dá nem para rir da piada.

Sabe o que também não considero spoiler? Dizer que Bruce Willis está… hamm… digamos que ele não esteja mais… Afinal, mesmo não sendo um “clássico”, “O Sexto Sentido” já faz parte da cultura popular.

Na maioria das obras que são referência para a cultura ou para a sociedade, acredito que o mais importante não é o final: essas obras ganharam fama e lugar na história pela forma como foram contadas, pelo modo como seus criadores uniram talento e técnica para desenvolver uma trama, pela maneira como seu enredo e personagens retrataram uma época, pela sua capacidade de nos conectar ao nosso mundo.

Pensei em alguns dos exemplos acima por causa do blog Rosebud é o Trenó (www.rosebudeotreno.com/), que, em seu layout antigo, trazia a seguinte frase: “O blog para quem sabe que Norman Bates é a mãe, o Bruce Willis está morto no final, que Tyler Durden é coisa da sua cabeça, e, claro, Rosebud é o trenó”. Brilhante, né?