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Posted on jul 22, 2010 in Literatura

Ambrose Bierce

Ambrose Bierce

Prezados companheiros de Estrada Literária. Quero propor uma nova atividade: utilizar este espaço para compartilhar a descoberta de novos autores. E por “novos autores” vale tanto falar daquele rapaz que tenta ganhar a vida vendendo seus livros de poesia de bar em bar quanto de medalhões da literatura universal. Tem que ser novo para quem escreve. Que tal?

Vou começar pelo Ambrose Bierce, que eu só conhecia (mal) de nome. Bom, perdemos a chance de homenageá-lo no dia 24 de junho, seu aniversário. Descobri isso no Original Ambrose Bierce Site (http://donswaim.com/). Que fofo: colocaram até um bolinho de aniversário para marcar a data. Pois então, Bierce nasceu no dia de São João de 1842, em Ohio, Estados Unidos. Já o dia da morte… Ninguém sabe com certeza. Ele simplesmente desapareceu, provavelmente, em 1913 ou 1914. Muitos acreditam que foi fuzilado pelo exército de Pancho Villa, no México, ao qual teria se juntado.

Bierce foi um jornalista muito popular, em sua época. O cinismo e a ironia eram suas marcas registradas. Suas frases, cheias de veneno, parece que ficaram mais famosas que suas obras. Seu livro mais conhecido é “O Dicionário do Diabo”, uma coletânea que traz definições para quase tudo, sempre de forma mordaz: “egoísta” é “uma pessoa de mau gosto, mais interessada em si mesma que em mim”; “fidelidade” é “uma virtude peculiar àqueles que logo serão traídos”; “orar” é “pedir que as leis do universo sejam anuladas em favor de um único postulante”.

Além de “O Dicionário do Diabo”, ele escreveu romances, contos e poesias. Entre suas obras publicadas no Brasil estão, ainda, “Visões da Noite – Histórias de Terror Sarcástico” e “No Coração da Guerra”, coletânea de contos sobre a Guerra Civil Americana.

Os especialistas dizem que Ambrose Bierce foi o primeiro escritor a “desglamourizar” a guerra, narrando-a de forma mais realista. A Guerra Civil Americana (1861-1865), na qual chegou a lutar, parece tê-lo marcado. São muitos os seus contos baseados nesse período – um deles, “Um Incidente na Ponte de Owl Creek” (1886), lido recentemente, foi meu primeiro contato com o autor.

Trata-se da história de um homem prestes a ser enforcado em cima de uma ponte. Enquanto espera o momento fatal, ele imagina quais são as suas chances de escapar. As sutilezas na descrição do que ocorre a partir desse momento levam a um final que pode deixar muitas perguntas no ar. É sonho? É alucinação? É imaginação? É outra coisa? As respostas estão nos detalhes que Bierce coloca no texto, aqui e ali. Uma palavra faz toda a diferença.

Pesquisando para fazer esse texto, fui descobrindo o quanto Ambrose Bierce e sua obra foram (são) capazes de dialogar com outras artes e outros tempos. Seu misterioso desaparecimento entrou para a cultura pop no longa “Um Drinque no Inferno 3” (1999), em que aparece lutando contra vampiros mexicanos. Ele também surge no livro “Gringo Velho”, de Carlos Fuentes. “Um Incidente na Ponte de Owl Creek” inspirou filmes (um deles, de 1964, ganhou o Oscar de Melhor Curta-Metragem) e até um videoclipe dirigido por Johnny Depp. Se isso não bastasse, como não apreciar um autor que definiu “circo” como “um local onde cavalos, pôneis e elefantes possuem permissão para ver homens e mulheres agindo estupidamente”?

Para ler o conto

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Para ver depois de ler o conto

Videoclipe dirigido por Johnny Depp com roteiro baseado em “Um Incidente na Ponte de Owl Creek”. Cuidado, spoilers!